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A Senda da Ilus√£o

Percorrer a senda da ilusão, é como entrar num local desconhecido em completa escuridão. Para sair deste local, não há outra saída a não ser por sucessivas tentativas de se encontrar uma luz, ou então a própria porta de saída, pela qual se poderá ver a Luz Maior, a luz do Sol. Assim sendo, por muitas vezes o homem acredita que, percorrendo certo caminho, encontrará a saída.


Existem, porém, muitas portas, e apenas uma delas é a verdadeira saída. Não há outra alternativa, porém, para o homem, a não ser abrir todas as portas e descobrir o que há por trás delas. Com tantos atrativos diferentes em cada porta, o homem deslumbra-se, pensando em cada surpresa diferente, cada prazer diferente que o aguarda, por trás de cada porta. Por todos os caminhos que percorre, porém, ele percebe, a uma certa altura dos acontecimentos, que isto que ele está vivendo não o conduzirá à verdadeira saída.


Foi um truque, uma farsa, pura ilusão. Os falsos atrativos sedurizam-no a abrir estas portas e nelas ele se perdeu, não sabendo mais como encontrar o seu referencial original. Porém, uma vez desmascarada a ilusão, integralmente, esta não voltará a seduzí-lo, pois perdeu todas as suas credenciais. O homem, porém, encantado e ao mesmo tempo inquieto, curioso por saber o que há por trás de tantas portas e lindas fachadas, não resiste à tentação e novamente mergulha no caos da ilusão.

Novamente a ilusão mostrará suas faces, e o homem verá que novamente se iludiu, embora até mesmo pudesse saber desde o início o final que o aguardava. O homem, enfim, abriu todas as portas. Restou apenas uma porta, sem atrativos, sem enfeites caprichosos, sem qualquer coisa que pudesse despertar interesse ao homem em abrí-la.

O homem n√£o se conformava por restar-lhe apenas aquela sa√≠da, a √ļltima que ele p√īde vislumbrar, e que sequer havia reparado antes. Pensava sucessivas vezes na possibilidade de tornar a abrir as portas j√° abertas anteriormente, para consumir e desfrutar um pouco mais das ilus√Ķes que ele pr√≥prio j√° havia desmascarado. E percebeu, ent√£o, que ainda estava preso e escravizado √†quelas ilus√Ķes.


Dirigiu-se ent√£o at√© as antigas portas e novamente tornou a abr√≠-las, e novamente desfrutou de seus prazeres ilus√≥rios. Assim fez novamente com todas as portas, √† exce√ß√£o da √ļnica porta que ainda n√£o havia sido aberta. Mas por estar desfrutando novamente de ilus√Ķes e coisas j√° consumadas, devido √†s suas naturezas totalmente transit√≥rias, cada vez mais os prazeres ilus√≥rios iam-se desfazendo e dissolvendo-se em meio √† verdade irrefut√°vel que tornava-se cada vez mais evidente na vida do homem, assim como a nova realidade que tornava-se cada vez mais presente em sua vida.


Esta era uma realidade diferente, sem formas manifestadas, sem a necessidade de condicionamentos de espécie alguma. Era, talvez, uma espécie de alegria diferente, eterna e duradoura, uma paz e um amor diferente de tudo o que já foi experimentado até então. Mas, ainda assim, o homem estava cego à esta realidade que ia lhe surgindo. Preferia passar horas e horas chorando e lamentando-se pelo fim inevitável dos antigos prazeres, estes que antes pareciam-lhe fartos e abundantes.


Agora, estes prazeres eram parecidos com um delicioso bolo de chocolate que, após tanto tempo sem consumo, deteriorado e jogado ao acaso, tornou-se abrigo de pequenos insetos, fungos, bactérias e microorganismos. Os antigos prazeres iam, portanto, desfazendo-se e "evaporando" como algo que nunca existiu. O homem refletiu profundamente sobre a sua vida até então. Não sabia como veio parar neste mundo, neste lugar escuro onde estava. Vivera ali desde que iniciou a sua jornada existencial, e nada viu além de escuridão, até os seus dias atuais. Escuridão e prazeres ilusórios. Ele pensou e até mesmo comparou a vida que lhe fora oferecida a um falso oásis num deserto quente. Feliz por encontrar "aquilo que buscava", atira-se com todas as suas forças ao falso oásis e, somente após o duro choque de sua queda ao chão, é que ele poderia saber que aquilo, como um todo, era uma ilusão.


Concluiu, portanto, que toda a sua vida era ilusória. Ele buscava algo mais, algo eterno, perene, uma alegria e uma paz que durasse para sempre. Pela primeira vez em sua vida, até então, o homem olhou para o seu próprio interior. Viu e sentiu que ali se constituía um poderoso alicerce para as suas tão desejadas conquistas, e a realização dos seus sonhos. E começou, portanto, a reverter o processo que até o momento tanto havia lhe prejudicado, roubado as forças vitais, tornando-o um homem doente, quase morto, sem mais poder sentir a poderosa presença divina em sua vida. O homem decidiu, portanto, explorar o seu interior e descobrir as suas riquezas. No exterior, nada mais havia a se fazer.


Tudo estava consumado, tudo estava perdido. Não haviam mais alicerces e forças que suportassem e sustentassem os ímpetos que queriam conduzí-lo aos abismos ilusórios. A queda do início do despertar já fora demasiadamente dolorida, e não queria aumentar ainda mais a esta dor. No início de sua nova busca, o homem sentiu que havia encontrado o seu verdadeiro caminho. Ele fez, em tal ocasião, a maior descoberta de sua vida: a descoberta do infinito e da eternidade.


Descobriu tamb√©m que, ao consentir que o seu interior pudesse se manifestar, ele havia aberto a porta que tanto havia desprezado, anteriormente. A √ļnica porta que n√£o havia sido aberta, e que por tanto tempo ficou esquecida. Mas ao abr√≠-la, para sua surpresa, ele encontrou aquilo que tanto buscava, a paz eterna que por tanto tempo buscou e almejou, o amor eterno que sentia pulsar em seu cora√ß√£o dia e noite, mas que antes, sem outros meios de manifest√°-lo, apresentava-o atrav√©s do choro descontrolado, de uma emo√ß√£o estranha que contagiava-lhe o corpo e o esp√≠rito.


O homem descobriu, finalmente, a razão de sua existência. Descobriu que a sua existência é a manifestação de Deus, que está em todas as pessoas e em todos os seres, e em toda a Criação Divina. Imerso novamente no oceano da Paz e no Amor Eterno, o homem encontrou o seu verdadeiro oásis, a infinita fonte da Sabedoria e do Amor. A partir deste dia, nada mais lhe faltou.


Tudo o que ele desejava, ele possu√≠a, em fartura e abund√Ęncia, pois sabia que jamais desejaria algo que n√£o fosse realmente da vontade de Deus. Ele estava, pois, totalmente reconectado √† Fonte da Vida, √† fonte de sua exist√™ncia. Longe de toda e qualquer ilus√£o, de toda dor e sofrimento, ele agora estava plenamente ligado ao seu Eu Superior, o seu pr√≥prio esp√≠rito s√£o e curado, perfeito em Amor e Sabedoria.


Encontremos, pois, também, o nosso verdadeiro óasis, fonte da vida, razão de nossa existência, origem da perfeição, fonte inesgotável de Amor e Sabedoria, mestre de todas as horas, nosso Eu Superior, o Deus que habita o interior de todos os homens.


Texto extraído do livro: O Eu Superior - Nosso Verdadeiro Mestre, de Leandro Pires


Autor do artigo: Leandro Pires

Contribuição: Francisco Campos


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